quarta-feira, 2 de março de 2016

Sintomas de um dia perdido

Pacientemente sentada, esperando um computador da escola ficar livre para poder escrever.
Dores  quase imperceptíveis na ponta da orelha, mas percebo-as.
Um pouco de sono ainda, são nove horas da manhã.
Alguém sai da sala e deixa a porta bater. Recebo uma mensagem. Não movo um músculo.
O sono e o tédio brincam de pular corda dentro da minha cabeça, logo atrás dos meus olhos. Computadores ainda ocupados.
Sinto um pouco de saliva acumular ao lado da língua. Sinto um gosto de café amargo.
A cantina está aberta  no andar de baixo. Quero um pão de queijo e uma xícara de energia, por favor.
Meu dinheiro só compra um pirulito. 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Vamos?

Vamos tirar tempo de onde não temos, vamos deixar algumas coisas pra fazer mais tarde, vamos nos deixar por fazer. Vamos não ir. Vamos ficar.
Vamos dedicar o tempo que não temos para fazer coisas que não fazemos. Vamos agradar ao outro, agradando a nós mesmos. Vamos nos doar. Vamos doar tempo do nosso tempo.
Vamos chamar. Buscar. Aceitar. Vamos ir, mesmo que não indo. Não saindo do lugar.
Vamos cozinhar juntos, vamos comer, vamos avaliar. Vamos errar. Vamos acertar.
Vamos porque não iríamos, mas indo ou ficando, vamos ter companhia.
Apenas vamos engolir o orgulho e matar a saudade de alguém que não vemos por nossa tão longa falta de tempo. Ou de vergonha na cara.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Doce café amargo

Talvez eu vire uma senhora mau humorada com problemas de gastríte e dentes amarelados. Mais amarelados do que já são.
Quem sabe eu pare de escrever, de compor e de cantar e não tolere mais um ruído de ninguém. Ou ainda, eu me transforme naquelas velhinhas ranzinzas e surdas que colocam a culpa em você por falar baixo.
E pode ser que isso tudo comece numa consulta médica, onde o doutor me aconselhe cortar o café ou substituir o café preto por café com leite. Do que me adianta café com leite? Eu quero o gosto amargo alguns segundos após um gole!
Porém, tudo o que falei são só possibilidades. E eu sei o quanto sou teimosa. Também sei que sempre vai haver um bule num cantinho especial, ao lado de uma xícara especial e que sempre vai haver aquele aroma no ar.