sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Reza

Tu me inspirou a rezar outra vez

mesmo sem fé

insisto em dizer em voz alta

na esperança de que algo dentro de mim aconteça


e me faça seguir os caminhos, com coragem

mesmo em meio à tropeços, me perdoo


Percebi há poucos dias

inverteu-se a ordem das minhas vivências

primeiro eu aprendi que te amo

e anos se passaram

então aprendi a me apaixonar


Enquanto eu procuro enxergar

luz nos caminhos pra poder caminhar

teu coração parece estar sob entulhos

de quilos e mais quilos de metal

mesmo diferentes, a intenção é deixar florescer


Cada qual em seu próprio caminho

Cada um sente por si e apenas por si


Ontem eu sonhei que caminhamos a cidade toda

eu carregava algo nas mão

não sei o que era, mas era importante

conseguimos juntos atravessar tudo

todos

justos

pacientes

pudemos sorrir aliviados


Não tem mais nada de tão feroz

nada mais me corrói 

nada mais me mastiga

a vida voltou a ser

e abriu espaço 

pra buscar a mim mesma

outra vez

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Equinócio da primavera

Hoje o sol iluminou o quarto como a luz de um farol

Pela primeira vez desde que moro aqui

A luz ampliou o teto e as paredes

E meu amor acordou no meu peito


Ontem escrevi num bilhete minha observação

"Meus batimentos cardíacos vão além da pele

Atravessam as páginas do livro que está sobre mim"

Colei na parede.


Hoje meu coração bateu em mim

e nele

e além

e se fez poema

quando se fez matéria





domingo, 13 de setembro de 2020

Olhar profundamente

 Hoje tem um mar nos meus olhos

Mas a maré está sob meu controle 

E eu só me permito transbordar

Quando estiver sozinha de novo


"O artista parece buscar o oceano mais revolto ainda que esse mar lhe afogue"

 (O gênio do gênio)


Meu medo de estar sozinha é a consequência de me perceber encarando a mim mesma

Olhar para minha pior versão e precisar mastigar cada pedaço meu

E só depois de toda mordida e gota de sangue sugada da carne

Digerir e transformar minha própria matéria em uma nova utopia


Eu não sei nadar

Mas me vejo imersa

Buscando o prazer

De tomar folego outra vez